Apenas 10% dos voos de ministros de Bolsonaro são para o Nordeste



Yahoo Brasil fez um levantamento nos dados da Força Aérea Brasileira (FAB) para verificar quantas vezes os ministros do presidente Jair Bolsonaro (PSL) usaram aeronaves oficiais para visitar a região Nordeste do país a trabalho.
Foram registradas 54 idas a cidades nordestinas desde 1º de janeiro até a última quinta-feira (18) - incluindo 15 escalas -, equivalente a pouco mais de 10% dos 526 voos dos ministros nas asas da FAB neste ano. Mais de 1/4 dessas viagens eram apenas escalas para outros destinos, segundo os registros da FAB.

A reportagem considerou como escalas os voos para o Nordeste em que os ministros pousaram e permaneceram por, no máximo, 2h30 no local, partindo para outro destino em seguida.
Dos 14 ministros de Bolsonaro que passaram pelo Nordeste, o que mais visitou a região foi Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Comunicações), com 9 idas, das quais 3 foram escalas. A região é especialmente importante para a pasta de Pontes: a base militar de Alcântara, no Maranhão, deve ser explorada pelo governo para atividades comerciais, o que envolveu uma negociação de Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) com os Estados Unidos no início deste ano.
Em seguida aparece o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com 8 passagens. Mas todas eram mesmo apenas rápidas passagens: das 8 vezes que Araújo pôs os pés no Nordeste, todas eram escalas para outros lugares.
O titular da pasta de Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, visitou o Nordeste 6 vezes e a ministra Tereza Cristina (Agricultura), 5. Os dois foram de fato à região, e não apenas como ponto de parada para outro lugar.
Também foram ao Nordeste os ministros da Infraestrutura, Tarcísio Freitas (4 visitas); da Educação, Abraham Weintraub (3 visitas); do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (3 visitas); da Cidadania, Osmar Terra (3 visitas e 1 escala); do Meio Ambiente, Ricardo Salles (2 visitas e 2 escalas); e da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (2 visitas).
Com pelo menos um registro na região pela FAB também estão Fernando Azevedo e Silva (Defesa), com uma visita e uma escala; e Bento Albuquerque (Minas e Energia), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), e o ex-ministro da Secretaria de Governo, Alberto dos Santos Cruz, com uma visita cada.
O Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Raul Botelho, não é ministro, mas tem direito a usar os aviões da FAB. Ele completa os 54 voos registrados, com uma ida ao Nordeste.
No final da semana passada, uma declaração do presidente causou polêmica pela conotação racista: em uma conversa com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, Bolsonaro afirmou que “daqueles governadores de 'paraíba', o pior é o do Maranhão; tem que ter nada com esse cara”. O áudio, cujo contexto não pode ser identificado, foi captado pela TV Brasil durante um café da manhã com jornalistas estrangeiros no Palácio do Planalto na última sexta-feira (19).
Flávio Dino (PCdoB), o governador do Maranhão, foi às redes sociais rebater a declaração. Em sua conta no Twitter, o governador maranhense destacou que "independentemente de suas opiniões pessoais, o presidente da República não pode determinar perseguição contra um ente da Federação". Dino, que é ex-juiz federal, prosseguiu o tuíte afirmando que, independentemente do estado, “‘'Não tem que ter nada para esse cara' é uma orientação administrativa gravemente ilegal".
Na sexta, os nove governadores da região divulgaram uma carta aberta, cobrando explicações de Bolsonaro, que tentou justificar a afirmação durante o fim de semana. Segundo ele, tratava-se de uma “crítica” a Dino e ao governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB). Para Bolsonaro, os dois “vivem me esculhambando”. “Obras federais que vão para lá, eles dizem que é deles. Não são deles, são do povo. A crítica foi a esses dois governadores, nada mais além disso”, afirmou a jornalistas no sábado (20), na porta do Palácio da Alvorada após cumprimentar apoiadores que o esperavam no local.
Fonte:YAHOO!