Fiéis pedem paz durante Lavagem do Bonfim em Salvador




Fé, sincretismo e música se misturaram na manhã desta quinta-feira (17), nas ruas da Cidade Baixa, em Salvador. Isso porque milhares de católicos, candomblecistas e turistas se reuniram para a tradicional Lavagem do Bonfim, maior festa religiosa da Bahia, e que já tem 265 anos de tradição.

Durante as homenagens, a imagem do Senhor do Bonfim saiu da Basílica da Conceição da Praia, no bairro do Comércio, e seguiu em cortejo até a Igreja do Bonfim. O percurso é de 8 km. Após a imagem chegar no destino, a lavagem do adro da igreja foi realizado pelas baianas.~


Antes das 8h, os fiéis já se aglomeravam em frente à Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia, ponto inicial do cortejo. Enquanto a caminhada não começava, grupos de samba tocavam do lado de fora da igreja e fanfarras ensaiavam o hino ao Senhor do Bonfim.

Fiéis no Comércio, próximo a Igreja de Nossa Senhora da Conceição  — Foto: Joilson César/Ag. Haack
Por volta das 8h30, após receber as bênçãos do Padre Edson Menezes, reitor da Basílica do Bonfim, uma multidão de branco tomou as ruas da Cidade Baixa que, nesta quinta-feira, "ganhou" até cheiro de Alfazema em alguns pontos. Apesar da maioria das pessoas fazer o trajeto a pé, alguns ciclistas também participaram do cortejo.

O sol forte, com temperatura média de 30°C, não desanimou os fiéis, que seguiram firmes na intenção de agradecer pelas conquistas ou de fazer pedidos.

"Ainda não estou cumprindo minha promessa, mas já fiz o pedido em dezembro do ano passado. Hoje eu vim para prestigiar a festa", disse a designer de interiores Margareth Ambrósio.

Clientes aprovaram o feijão de Gilmar — Foto: Maiana Belo/G1 Bahia

Um dos pedidos mais populares entre os devotos é o de paz, que também é expressa na cor branca das vestes do público, das baianas que acompanham o cortejo e em uma bandeira gigante. O acessório foi a novidade da lavagem deste ano. Segundo padre Edson Menezes, reitor da Basílica do Bonfim, a bandeira é "uma expressão visual do desejo de paz"

Durante o cortejo, houve manifestações culturais protagonizadas por bandas, fanfarras e até carro de som improvisado. Também foi possível ouvir cânticos católicos e saudações com "ajayô", expressão africana que saúda Oxalá, que no sincretismo religioso representa o Senhor do Bonfim.

Lavagem do Bonfim 2019 — Foto: Joilson César/Ag. Haack

Outra tradição da Lavagem do Bonfim é a oferta de feijão ao longo do percurso. Uma tenda, na altura do bairro da Calçada, era uma das opções para comprar o alimento.

"Há cinco anos eu vendo feijão aqui, e é um sucesso", disse o comerciante Gilmar Farias.

Quem aproveitou o prato foi a atendente Geovana Souza Lima. "Primeira vez que eu como aqui, e gostei bastante. Vai me dar força para eu seguir até a Colina Sagrada, e depois ainda vou ali aproveitar um samba", disse.

Por volta das 11h20, após muita música, agradecimentos, pedidos, cansaço e suor, os primeiros fiéis começaram a chegar à Colina Sagrada, onde fica a Igreja do Bonfim. Todo o culto foi acompanhado pelo governador do estado, Rui Costa, e pelo prefeito de Salvador, ACM Neto, que também seguiram o cortejo.
Lavagem do Bonfim 2019 — Foto: Itana Alencar/G1 Bahia

A imagem de Nosso Senhor do Bonfim chegou na igreja por volta das 12h45 e foi recebida com apresentações de músicas religiosas, no adro da Igreja do Bonfim. Depois da chegada da imagem, as escadarias do templo religioso foram lavadas pelas baianas.